Ali era seu pai, aquele por quem tinha um imenso sentimento, se era mágoa ou amor, ela não sabia bem, apenas que ele continuava ali, em algum canto de seu ser, martelando incessantemente todos os dias como a lhe lembrar da existência que ela jamais achou possível esquecer.
Clarisse que havia parado na porta de casa, voltou a caminhar e depois de uns poucos passos alcançou o carro. uma cortina moveu-se na sala da qual a menina acabara de partir, voou apenas para uma lado como se estivesse sendo puxada, contudo não dava para ver ninguém por trás.
Antes de entrar no carro Clarisse pode perceber que estava sendo observada e olhou para trás com a mão na maçaneta do carro e mesmo sem perceber ninguém, acenou com um largo sorriso a estampar-lhe o rosto. Seu pequeno coração então deu uma fisgada que ela já bem conhecia e tinha a certeza que lá do outro lado da janela a mesma coisa era sentido por quem lhe observava. Nunca gostou de lhe deixar sozinha, mas também sabia que ela jamais lhe privaria daqueles pequenos momentos que acalmavam a alma daquela garota pálida e frágil que acenava e observava carinhosamente o recinto que acabara de deixar.
-Entre logo! - falou o homem no banco do motorista.
como se saísse de um transe, Clarisse voltou-se para o carro e sem mais se deter adentrou o carro e por mais nenhum segundo olhou pra trás o que lhe fez sentir como se lhe apertassem seu pequeno coração, pois era isso que a mãe sempre lhe dizia, que ela tinha um pequeno coração, tão pequeno quanto todo o seu corpo.